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O que as mulheres da tecnologia devem buscar nas empresas?

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Numa área de tecnologia que é predominantemente masculina, as mulheres que buscam se posicionar neste mercado enfrentam diversos e grandes desafios, a começar pela falta de estímulo durante a infância e a fase escolar, a pouca representatividade feminina no setor e o machismo que acaba por afastá-las das áreas tecnológicas.

O machismo, em especial, é o mecanismo que mais dificulta a inserção feminina na área tech.

As salas de aulas dos cursos de ciências da computação, por exemplo, podem ser ambientes potencialmente prejudiciais emocionalmente para elas. Não faltam relatos de mulheres que foram discriminadas por professores e colegas, que duvidaram de suas capacidades de aprendizado e de performance simplesmente por causa do gênero, contribuindo muito com a desistência de inúmeras graduandas. Sinal disso é que apenas 13% dos alunos matriculados neste curso, de acordo com uma pesquisa do IME-USP, são mulheres.

Outros dados alarmantes que indicam a desigualdade de gênero neste segmento foram levantados pela Catho. De acordo com a Pesquisa Salarial Catho 2021, apenas 19% dos profissionais de TI são mulheres e elas ganham até 11% a menos que os homens. Olhando para a área de programação, apenas 14% são mulheres.

E considerando tudo isso, concluímos que… O futuro está sendo programado por homens.

As mulheres estão sendo excluídas do mercado de tecnologia no Brasil. Enquanto elas representam menos de ¼, os homens dominam a participação, chegando a quase 80%. E se nos atentarmos ao fato que o futuro já é e cada vez será mais digital e tecnológico, percebemos que o que devemos esperar, lá na frente, é mais machismo. Se a grande maioria dos desenvolvimentos de equipamentos, softwares, produtos, soluções e tudo mais, são os homens que realizam, porque a tecnologia seria inclusiva para todas as pessoas? Como poderíamos ter soluções tecnológicas pensadas para mulheres?

Além disso tudo, a conscientização a respeito da pauta ainda é muito recente. Apesar do forte esforço criado por coletivos de mulheres da área, empresas que nasceram com o propósito de equilibrar a balança e empresas que buscaram diversificar seus times, falta muito para o debate transcender em práticas consistentes. Afinal, dentre as empresas que não estão engajadas com as causas de gênero, que infelizmente ainda são muitas, o assunto não é nem mesmo discutido. Quantos desses executivos acreditam que as mulheres deveriam mesmo ter oportunidades iguais às deles? Quantos ainda acham que elas devem tomar conta de casa e que eles precisam ser os provedores financeiros? Quantos CEOs e líderes que são homens desejam abrir mão do seu privilégio e serem liderados por mulheres?

Sabendo disso, as mulheres da área precisam estar atentas na hora de escolher uma oportunidade de trabalho, quando for possível fazer uma escolha.

O que as mulheres de tecnologia devem buscar numa empresa?

Então, mais do que uma vaga aberta em algum dos setores de TI e Devel da empresa, elas precisam buscar outras características nas companhias para poderem ter uma experiência plena, aplicar seus conhecimentos com segurança, aprender e crescer profissionalmente.

1- Representatividade e proporcionalidade:

Chegar em uma empresa como a nova funcionária de tecnologia e não ser a única mulher da área já é um bom sinal e um alívio. É muito importante que as mulheres estejam representadas na área, mas também é fundamental olhar para a proporcionalidade. Além de você, mais uma ou duas mulheres, existem outras? Por quem são ocupados os cargos de liderança? Existem mulheres nas cadeiras que dirigem a empresa? As outras áreas também são abertas para as mulheres? Qual a proporção de mulheres em cada setor, na tecnologia e nas lideranças?

A desproporção pode apontar uma falsa prática de equidade pautada no pilar de gênero que, no fim, não inclui de fato as mulheres no mercado de trabalho nem acolhe suas ideias e identidades verdadeiramente.

2- Diversidade por completo:

A busca por maior participação feminina na TI não se limita a conquistar cargos. É preciso conquistar voz e escuta e não se contentar com meias justiças. O mercado de trabalho é excludente com os mais variados grupos sociais, que são menosprezados durante os processos educacionais, de recrutamento pelas empresas e também nos relacionamentos dentro dos ambientes de trabalho. E se a empresa que você está cogitando ir trabalhar “SÓ” se importa com as mulheres em tecnologia, desconfie. Diversidade, como o próprio nome já diz, é diversa. Procure empresas que queiram também incluir pessoas negras, pessoas com deficiência, mães, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, idosos, refugiados e todas as pessoas em seus quadros de funcionários e em todos os níveis. Isso é um importante indicador do quanto você terá de voz e liberdade.

3- Salários Iguais:

A diferença salarial apontada pela Catho entre homens e mulheres em tecnologia é de, em média, 11%. Isso significa que temos um mesmo peso com duas medidas. Mulheres que realizam os mesmos serviços que os homens e recebem menos por isso. Não dá, né? Se possível, busque por empresas que tenham uma política mais transparente quanto aos salários. Boa parte das empresas complica o processo de negociação salarial, questionando quanto as mulheres ganham atualmente, qual foi o último salário ou quanto desejam ganhar, ao invés de falar logo: “pago tanto”. E isso também pode ser uma forma de tentar pescar o que tem por trás dessa negociação. O recrutador está tentando pagar o mínimo aceitável pela candidata ou o quanto ele realmente dispõe como teto para o profissional ideal para aquela vaga em questão?

4- Reconhecimento: financeiros e mimos

Ser reconhecida não é ter promoção após anos e anos dando o suor sem receber outras formas de reconhecimento. Faz parte também receber agradecimentos, feedbacks e elogios públicos. E aumentos e promoções. O verdadeiro reconhecimento é ter o trabalho valorizado sempre, sem ter as habilidades postas em xeque. É ter o nome como uma das referências da equipe naquilo que se faz. É ser lembrada quando vai rolar alguma ação especial e divertida, quando vai ter presentes pros colaboradores que mais se destacaram no período. É conquistar altos cargos e salários.

Só o dinheiro não resolve. Só elogios não resolvem. Reconhecimento profissional tem que ser por completo.

Quer saber mais?

Ouça um podcast sobre mulheres na tecnologia!

O episódio 20 do Trampapo, podcast produzido pela Cartho e apresentado pela Ana Paula Xongani, trouxe convidadas do UX para Minas Pretas e do coletivo Wo Makers Code para conversar sobre esse tema. Pesquise pelo Trampapo e escute!